1992–2012Regresso, candidatura e programa nacional
Com o multipartidarismo regressou a Angola, legalizou a sua Igreja, a Congregação Cristã, participou civicamente no processo eleitoral de 1992 e implantou estruturas associativas ligadas à diáspora. Com o início do conflito pós-eleitoral, em 1993 Loa escreve ao então Presidente do Parlamento, Fernando José de França Dias Van-Dúnem, propondo-lhe um conjunto de propostas de lei que na altura poderiam redimir o conflito interno existente entre o MPLA e a UNITA: por exemplo, a proposta de Lei Eleitoral, um modelo de recenseamento populacional nacional e a proposta de um modelo atípico da composição do Parlamento, integrado com uma segunda câmara de constituintes do modelo alemão, que poderia evitar conflitos eleitorais causados hoje pela atual CNE, injustamente e criminosamente concebida.
Passados mais de 10 anos num futuro adiado e sóbrio, após a eliminação física do Dr. Savimbi, Loa desafia o atual regime: a 20 de Agosto de 2003 anunciou em Luanda a intenção de concorrer como independente à Presidência da República, apresentando-se como defensor da reconciliação nacional, da democracia, da liberdade de expressão e da tolerância. Anunciou a necessidade da Refundação da República de Angola, para um “Estado Federal de Reinos Unidos de Angola” que deverá congregar novamente os angolanos na base das origens étnicas e dos seus Poderes Tradicionais genuínos destruídos pelo poder colonial, os reinos soberanos de Angola, antes da chegada do homem branco.
Entre 2007 e 2008 divulgou uma conferência de imprensa, um manifesto político de fim de ano, uma intervenção dirigida a políticos e jornalistas e a Encíclica aos Homens Santos de Deus. O programa propôs um Estado Federal Social Laico dos Reinos Unidos de Angola, eleições legislativas e presidenciais simultâneas, um fórum multipartidário, censo populacional, indemnização às vítimas da guerra, educação e saúde universais, habitação, emprego, agricultura, infraestruturas, energia renovável e uma economia nacional de iniciativa privada.
Em 2008 anunciou a aproximação à Frente para a Democracia e apresentou trinta pontos estratégicos do seu manifesto. Em 2011 concedeu a grande entrevista publicada por À Pátria e reproduzida pelo Club‑K. Em 2012 o Club‑K publicou o seu perfil biográfico e noticiou a criação da PLACEA, plataforma de líderes cristãos destinada ao diálogo entre igrejas, Estado e sociedade. Todavia, astucioso que era o Presidente JES, conseguiu, desde 92 quanto à realização das primeiras eleições gerais democráticas não concluídas, manipular o adiamento de verdadeiras eleições, a separação das eleições legislativas das presidenciais, a anulação das candidaturas independentes no mosaico nacional com a criação de uma nova Lei Constitucional, até ao puxar a realização de eleições gerais apenas em 2012, aproveitando este espaço de tempo para eliminar física, económica e psicologicamente muitos potenciais candidatos independentes que se predispuseram na altura. 20 anos de manipulação da realidade nacional até declarar-se, com ajuda dos seus Tribunais construídos ao seu jeito, de que todos estes anos que governou não valiam mandato nenhum. Porque ele não governava, apenas assegurava um país estável. Por isso, não lhe foi imputado mandato nenhum. Apenas o mandato de 2012 a 2017. Que energia criminosa.
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